domingo, 23 de setembro de 2018

Peguei um punhado de flores na mão, desejando que elas não fossem destinadas a você. E elas eram.

Achei sonhos jogados pelo chão e desejei que eles não te espelhassem. E eles espelharam.


É perigoso.

Dizer por dizer...

Só porque tem que ser dito algo.

Tememos o silêncio por quê, se ele diz tão claramente o que milhares de palavras não alcançam?

Eu estou aqui.

É tudo que preciso te dizer.

O resto você já sabe.

Já conhece meus desejos.

Já sentiu meu calor ao seu lado.

Já olhou fundo nos meus olhos.

Já provou do meu gosto.

Já escutou meus sussuros.

Já sentiu o que apenas duas almas conseguem demonstrar.

É tudo que posso fazer por você.

Não vou mais dizer nada... porque não quero.

Cansei de me forçar a sempre tentar te provar que eu estava aqui.

Eu sempre estive e você notou, se é que notou, a hora que quis.

E na hora que você quis, eu continuei aqui, não continuei?

Não continuarei mais tentando te provar que preciso de você....buscando-te, quando na verdade, eu até preciso... sem buscar-te.

Preciso saber que está bem.

Preciso dividir com você frases que me lembrem você e momentos que quero ter ao seu lado.

Cansei de me montar de boneca, aquela que você criou na sua imaginação.

Não sou feita apenas de sexo... tenho também amor...

E ele é maior que eu.

Não sei se é isso que você quer...

Mas é o que eu quero.

Pegar nas mãos...

Olhar nos olhos.

Beijar...e só beijar...

Simplicidade...

Pra que pular tantas etapas para chegar ao final, se o importante é a travessia?
Entrando na minha casa em passos largos. Já sabe que me tem nas mãos. Ousa me tocar o rosto. Me beijar. Ousa me despir dos medos e das aparências como se já soubesse o que necessita ser feito, sem saber. Não lhe disse o que eu quis. Nem precisei. Me lê com o seu olhar. Me encanta com os seus jeitos, risos e olhos. Sabe que me encantou. Mas teme. Ainda teme. Teme que tudo se vá pelos ares tão rápido quanto aquilo que nos uniu.
Passos que não foram ensaiados. Nos levam a qualquer direção.

Às vezes andam em círculos. Nosso lugar é não sair do lugar.

Às vezes vão até a esquina. O nosso lugar é logo ali.

Às vezes vão até o outro lado do mundo. O nosso lugar é daquele outro lado.

Nunca sabemos e nem poderemos supor onde será o nosso lugar, o nosso canto.

Os passos nos levam a tantos lugares pelas ruas do mundo que até esquecemos que a estrada sempre começa em nós mesmos.

Não sei quem eu sou. Morrerei tentanto descrever-me inutilmente.

Sou o que sinto, digo e calo.

Sou principalmente o que não sou e o que jamais supunha ser.

Sou o ser que quero ser quando não me permito e aquele que se surpreende com como pode ser melhor quando se permite.

Sou imperfeito.

E essa é a graça.
Meu coração dói. Meus olhos se enchem de lágrimas. Quero deixá-las cair. Mas doem ao percorrem meu rosto. Dói mais ainda quando alcançam meu coração. Dói perceber o que tenho permitido que ocorra comigo, com a minha vida. Dói me ver o quanto mudei, o quanto fiz coisas que nunca aprovaria. Me dói ver que ainda crio expectativas na tal da perfeição. Foi ela quem me botou aqui? ou foi o meu medo gigante? Queria voltar a ser quem eu era. Será que é possível?
Nem com o travesseiro converso mais.

Deixei de abrir minha janela para contar estrelas.

Parei de ver aviões e imaginar o seu destino, como seria estar dentro dele.

Faz tanto tempo que não beijo sequer em meus sonhos.

Já quase nem lembro de como é se fazer ser quem não se é, por puro hobby.

A vida em seus pequenos detalhes se esvaindo de minhas atitudes. Cansei de contar meus afazeres, cozinhar, lavar, cuidar. E amar?...E ser amada? e viver?

Amor de enlouquecer, de sentir, de viver...



Me despeço hoje do meu velho EU. Me despeço das roupas largas. Me despeço das vozes que calei. Me despeço dos abraços não dados, dos sonhos não vividos, do tempo não usado. Me despeço das amarras que criei, dos sorrisos que dei quando queria chorar, dos momentos em que precisava ficar só e não fiquei. Me despeço dos medos que me impediram de voar. Me despeço da dor que quis evitar. Me despeço do quanto me larguei. Me despeço das expectativas que não atingi e dos corações que deveria ter tocado e não toquei. Me despeço de não ter vivido o que quis e me despeço de não me fazer feliz como eu merecia. Me despeço do auto amor que não vivenciei.