Calcanhar.
Meio do pé.
Dedos.
Pé direito.
Idem.
Pé esquerdo.
Feche os olhos.
Escuta a canção.
Dança!
Isso.
Só existe você na sala.
Fecha os olhos e dança.
Sinta o som.
Vai no ritmo da música.
Isso.
Abra os olhos.
Interaja.
Olhos nos olhos.
Vamos! Reaja!
Solta o quadril.
Não se toquem.
Se sintam!
Vamos!
Quadril pra direita.
Braços pra cima.
Quadril pra esquerda.
Gira.
Seio à frente.
Seio pra trás
Rebolada. rsrsrs
Vamos, se soltem!
Dancem cada vez mais.
(Agora. Música lenta)
Pintem as paredes como se fossem quadros...
Olhos baixos. Braços levemente esticados. Os olhos vão olhando de baixo para cima até que encontram minha mão. A vejo alegre, brincando acima da minha cabeça; A sigo com os olhos e, sem perceber, com o corpo. A mão brinca e, lentamente desce, meu corpo gira, meu pé esquerdo para a frente, no impulso do direito, me deito ao chão. As pernas sobem e pintam, lindamente o teto, enquanto as minhas costas pintam ao chão. A mão se mexe delicada e pontual e desenha belos castelos, com um mar na frente. Me levanto, meus quadris se mexem pintando as paredes e as portas, e meus seios desenham lindas aves que voam naquele céu inventado.
Parem.
Deitem.
Com os olhos fechamos contemplem a pintura.
Meu corpo agora está imóvel, apenas mexe pela respiração. Meus olhos fechados percorrem o castelo, vêem as aves e as flores e, de repente, algo que não me lembrava que pintei. Uma menina, de blusa vermelha que corre pelo quadro imóvel.
Toquem a tinta.
A toco. A sinto. Sinto a textura da tinta em minha mão.
Passem no rosto. Pintem cada cantinho dele.
Pastosa. Meio seca. Começo passando as bochechas. Os dedos caem pela lateral do rosto, sobem até a testa, descem pelo nariz e encontram a boca, pintam os lábios e o queixo.
Olho o quadro e a menina está me olhando, parada. E, achando tudo aquilo engraçado, sorri. Estica a mão, toca, pinta o seu rosto, se levanta e sai, dançando, ao longe, dando cor ao quadro pastel que criei.
Mulher, com a pitada de menina, de quem sempre se viu assim. Mas diferente. Agora, dona de seu próprio destino. A hora da mudança está a caminho. E ela já preparou tudo. Quem ela é? Só há um forma de descobrir....
quarta-feira, 15 de junho de 2011
terça-feira, 14 de junho de 2011
Mundo zumbi
Passos lentos.
Qua a a a se parando.
Um susto!
Passos rápidos, velozes, sem freio.
Olhares mortos.
Mas nem por isso parados.
Quem disse que morrer é não se mover mais?
Mortos em vida.
Os olhos voam rápidos, de um lado para o outro tentando matar olhos brilhantes que se escondem.
Se escondem atrás do medo;
Da quietude;
Do silêncio.
Poderiam reascender os mortos?
Eles não sabem...
Mas podem!
São poderosos.
E são medrosos.
E são únicos, intensos, profundos.
E os pés fogem e correm nessa terra de zumbis, onde estar vivo é anormal.
Todos querem parecer mortos e viver como tal, acomodados em suas caixas.
Cadáveres de nada, que se matam, e, pelo quê?
Por quê?
Uma única razão:
Se esgotar tanto, mais tanto, para deitarem vitoriosos e de consciência limpa em seus caixões já preparados, que os espera, na próxima esquina.
Enquanto isso, os vivos fogem dos caixões e dos mortos.
Fogem das rotinas e das fugas.
Fogem da sociedade e de si mesmos.
E as poucos, seus olhares também vão parando.
Seus pés, desace le ran do.
As duras batalhas e as difíceis travessias acabam, lentamente, com eles e então vão entendendo o porque do mundo ser cheio de vivos mortos.
Ninguém os ajuda.
O brilho? Se esvai, de gota em gota, e é escondido, a sete chaves, e é silenciado, pelo lenço (que aparenta ser branco) do medo.
E nós, nós fazemos o que?
Nada.
Não fazemos nada.
Talvez porque já tenhamos morrido em vida.
Ou talvez porque estamos inventando qual será nossa causa mortis, tentando parecer heróis: "Ah... Me sacrifiquei por amor."
Morremos em vida, mas não é por amor, é por medo.
Morremos ao nos calarmos.
Morremos quando deixamos de estender a mão e quando caímos e não há mão alguma para nos ajudar a levantar.
Viramos zumbis em uma terra assombra por fantasmas que criamos, como desculpa, para nos escondermos dos outros e de nós mesmos.
Como já disse uma música: "Nessa terra de gigantes, que trocam vidas por diamantes...".
E, morremos em vida, pelo que mesmo?
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Eu não quero dissertar.
Quero sentir.
Quero saber do que falo, sem pensar.
Quero saber do que calo, sem analisar.
Tem que ser sutil:
Pele que arrepia,
Lágrimas que rolam,
Lábios que sorriem.
Eu sei que temos cérebro.
Mas também temos coração.
Temos sensações e sentimentos.
Há coisas que sentimos que simplesmente não dá pra explicar.
Já se inventou palavras pra explicar o quão maravilhoso é amar?
Quero sentir.
Quero saber do que falo, sem pensar.
Quero saber do que calo, sem analisar.
Tem que ser sutil:
Pele que arrepia,
Lágrimas que rolam,
Lábios que sorriem.
Eu sei que temos cérebro.
Mas também temos coração.
Temos sensações e sentimentos.
Há coisas que sentimos que simplesmente não dá pra explicar.
Já se inventou palavras pra explicar o quão maravilhoso é amar?
terça-feira, 7 de junho de 2011
Brilho no Olhar
Não precisava que nada fosse perfeito.
Nem que passasse perto disso.
Fora é como se fosse apenas as cores de um quadro que muda de imagem constantemente, horas com cores amarelas, vermelhas e roxas e horas com cores azuis, verdes e cinza.
As cores se alternavam e novas cores eram criadas, inventadas, nomeadas e às vezes, simplesmente, pintadas.
Ela?
Horas morena pelo sol, horas pálida pelo frio, horas vermelha pela vergonha.
Seus olhos também mudavam de cores, camaleões do desejo se fantasiavam de acordo com os sonhos que eram pescados pelo ar, através de suas pupilas e devolvidas ao sonhador através dos lábios. Daqueles lábios macios, intensos, que continham o segredo da paixão.
Era só beijá-la e pronto: você estava preso naquela rede. Naquele misto de sensações.
Você não sabia ao certo o que estava sentindo e nem imagina que estava sendo levado até as profundezas dos seus mais secretos sonhos.
Aquele beijo era capaz de tirar qualquer pé do chão e aqueles olhos...
Ah, aqueles olhos davam asas a qualquer ser que desejasse voar.
Poucas vezes vemos.
Poucas pessoas ainda tem aquele brilho.
Aquele, que só pertence ao olhar.
Aquele, que queremos ter.
Aquele. Que quando a boca diz palavras, não importa o que exatamente está dizendo, pois as palavras saem belas e dançantes de satisfação e você vê, letra por letra saindo e se jogando, invisível, rumo ao infinito.
É aquele brilho!
Aquele brilho de inocência, não importa o quão velho ou o quão experiente seja. Mas aquela inocência de quem ainda consegue acreditar no amor.
E quando você vê aquele brilho, você também quer amar, também quer acreditar, pra ver, se de alguma forma, o amor também abre a sua janela e faz reacender o brilho da sua alma.
Porque aquele brilho não pertence aos olhos.
Não é físico.
Não adianta pingar águas ou colírios.
Aquele brilho vem de dentro e você sente que tem alguma alma habitando aquele corpo, que é um corpo qualquer, que também chora, que também ri, que também se decepciona. Mas que ama.
Ah... E como ama!
E quando a gente olha em volta: Olhos mortos, olhares vazios, pessoas incompletas.
Nos olhamos no espelho e vemos cores frias e nos perguntamos aflitos:
Onde está o meu brilho no olhar?
E minha alma?
Onde foram parar meus sonhos?
Como dizer palavras no vento que toquem o coração de alguém?
Então, em um dado momento, em que não sabemos definir, você abre seus olhos e finalmente se vê, ali.
Nossos corpos são quadros. Alguns pintados com cores frias, outras quentes e cada um com sua marca, com o seu charme, com o seu medo.
Mas nossos olhos... esses são diferentes. Ou eles não tem brilho algum, ou cintilam a cor da nossa alma.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Trocas
Silêncio.
Pra que música?
Pra que palavras?
Sinta.
Respire.
Toque.
Se deixe tocar.
Abrace, envolva, provoque, acaricie.
Seduza.
Brinque.
Leve a sério.
Excite.
Se deixe excitar.
Beije.
Se deixe beijar.
Trocas, sensações, sentimentos, emoções.
Tudo é se lançar.
E nem um A.
Nada.
Apenas as pontas dos dedos que levemente percorrem cada cantinho do corpo. O lábio que desliza pela nuca, pela barriga.
A nuca e a barriga que se deixam beijar.
O calor que invade o corpo.
As mãos que percorrem e invadem, e brincam e conhecem. E provocam.
O corpo que se deixa provocar.
Os lábios que se tocam.
As mãos que seguram o cabelo.
Os corpos que se encaixam...
A emoção que acontece.
A respiração que fica ofegante.
E a entrega que foi feita.
O feito que nos permitiu nos entregar.
Nenhuma palavra foi dita.
E no entanto, se disse tanta coisa.
Pra que música?
Pra que palavras?
Sinta.
Respire.
Toque.
Se deixe tocar.
Abrace, envolva, provoque, acaricie.
Seduza.
Brinque.
Leve a sério.
Excite.
Se deixe excitar.
Beije.
Se deixe beijar.
Trocas, sensações, sentimentos, emoções.
Tudo é se lançar.
E nem um A.
Nada.
Apenas as pontas dos dedos que levemente percorrem cada cantinho do corpo. O lábio que desliza pela nuca, pela barriga.
A nuca e a barriga que se deixam beijar.
O calor que invade o corpo.
As mãos que percorrem e invadem, e brincam e conhecem. E provocam.
O corpo que se deixa provocar.
Os lábios que se tocam.
As mãos que seguram o cabelo.
Os corpos que se encaixam...
A emoção que acontece.
A respiração que fica ofegante.
E a entrega que foi feita.
O feito que nos permitiu nos entregar.
Nenhuma palavra foi dita.
E no entanto, se disse tanta coisa.
domingo, 5 de junho de 2011
Atreva-se
Que atrevimento é se apaixonar.
Que ousadia!
É deixar milhões de possibilidades de beijos e carinhos por aí e trocar pelos beijos e carinhos de apenas uma pessoa.
Tem que ser A Pessoa!
Ou não.
Mas tem que nos tocar a ponto de nos deixar louco.
Se apaixonar não é pra quem é "são", é pra quem perdeu o juízo!
Para quem se permitiu perder o juízo.
É puro atrevimento:
É se declarar, sem certeza de resposta;
É dar, sem certeza de receber;
É dizer Eu Te Amo, e esperar o Eu Também de volta, ou se decepcionar quando ele não vier. Mas sem dúvida é se atrever a dizê-lo.
Se atrever!
Se apaixonar é com roupas. Para ficar nú, tem que amar. Tem que ser sem máscarar, sem poses, sem tentar impressionar.
Amor tem que ser de coração para coração.
E se não?
Se não corre o risco de cair em meio ao vão das maquiagens e das mentiras.
Para amar tem que ser mais louco ainda pois tem que se ousar ser quem é.
Tem que mostrar seus defeitos, correndo o risco de assustar quem se ama.
Mostrar suas qualidades correndo o risco de fazer quem se amar se envolver.
Para amar não pode ter medo de abrir suas asas.
De envolver e ser envolvido.
Se você perceber bem, o céu e o mar estao ligados através do horizonte.
E você e o outro também, mas é através da linha tênue chamada Amor.
A cabeça temos para questionar.
O coração, para sentir.
Coração não questiona se as coisas estão de acordo com os padrões. Para o coração não existe padrão, existe instinto. Não existe mentira, os toques, beijos e olhares são pura verdade e se duvidar, a única verdade da terra.
O amor é natural, assim como a paixão.
Mas atualmente estamos tão "sãos" que amar parece ilusão.
Que ousadia!
É deixar milhões de possibilidades de beijos e carinhos por aí e trocar pelos beijos e carinhos de apenas uma pessoa.
Tem que ser A Pessoa!
Ou não.
Mas tem que nos tocar a ponto de nos deixar louco.
Se apaixonar não é pra quem é "são", é pra quem perdeu o juízo!
Para quem se permitiu perder o juízo.
É puro atrevimento:
É se declarar, sem certeza de resposta;
É dar, sem certeza de receber;
É dizer Eu Te Amo, e esperar o Eu Também de volta, ou se decepcionar quando ele não vier. Mas sem dúvida é se atrever a dizê-lo.
Se atrever!
Se apaixonar é com roupas. Para ficar nú, tem que amar. Tem que ser sem máscarar, sem poses, sem tentar impressionar.
Amor tem que ser de coração para coração.
E se não?
Se não corre o risco de cair em meio ao vão das maquiagens e das mentiras.
Para amar tem que ser mais louco ainda pois tem que se ousar ser quem é.
Tem que mostrar seus defeitos, correndo o risco de assustar quem se ama.
Mostrar suas qualidades correndo o risco de fazer quem se amar se envolver.
Para amar não pode ter medo de abrir suas asas.
De envolver e ser envolvido.
Se você perceber bem, o céu e o mar estao ligados através do horizonte.
E você e o outro também, mas é através da linha tênue chamada Amor.
A cabeça temos para questionar.
O coração, para sentir.
Coração não questiona se as coisas estão de acordo com os padrões. Para o coração não existe padrão, existe instinto. Não existe mentira, os toques, beijos e olhares são pura verdade e se duvidar, a única verdade da terra.
O amor é natural, assim como a paixão.
Mas atualmente estamos tão "sãos" que amar parece ilusão.
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