segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Se declarando...

E.. ela... nunca tinha dito em voz alta... o que ela teve ousadia de dizer...

Ela fechou os olhos... não sabia o que a esperava... mas ela não ousou voltar...

Então começou... começou pedindo perdão:

- Me desculpe... nos últimos anos eu não tenho te percebido, não tenho te dado espaço, naõ tenho te dado valor. Não, não é que eu não goste de você, por favor, não me leve a mal... na verdade eu acho que não me permiti construir o nosso relacionamento, a nossa base... mas eu agora estou pronta pra você...se você estiver pra mim... Eu espero conhecer você de cima a baixo... não, não quero de jeito nenhum tirar a sua liberdade... eu quero te conhecer em cada vôo... quero te conhecer em cada pouso e repouso, eu quero estar com você quando você estiver triste, quando precisar de mim... quero sorrir da vida com você... quero te dizer como eu amo o seu sorriso, como eu acho seus lábios lindo... quero te dizer que a coisa mais linda em você são os seus olhos... vê se a pureza do seu ser no interior deles... sei o quanto você sofreu...sei o quanto tem sido dificil, sei o quanto parece que você está só... mas você não está... mesmo que eu tenha ficado quieta, eu estava ao seu lado, eu estava te observando... talvez eu quisesse que você se percebesse sozinho... mas eu sei agora, que você precisou que alguém lhe desse a mão, e eu estou oferendo mais que ela... estou me oferecendo por completa... porque eu sei que você sem eu não é ninguém, assim como eu sem você, não existo...

Então, ela abriu os olhos...olhando para si mesma, com lágrimas nos olhos e sem medo terminou...

- Queria ao menos que você soubesse que eu não estou mais aí para os outros... porque antes deles existe você... depois em pensarei neles... primeiro eu quero te ver levantar, se descobrir e eu vou me descobrir junto... Porque eu prometo...que em quanto eu estiver aqui...e, eu vou estar para sempre... você sempre terá a mim...

Ela só não pode abraçar... porque o espelho separava ela, da sua imagem... mas ela pode entrelaçar o corpo, a mente, o espiríto... ela pela primeira vez...se deu a mão...

desabafo

Descobri que eu não posso mais chegar até o final do dia sem me dar a mão.

A gente vai, ao longo da vida e do caminho se deixando de lado... vai começando a se preocupar com os outros e passa a querer protegê-los de uma forma egoísta e irreal. Isso é não só prejudicial a eles, por não crescerem e não correrem atrás das suas vidas, como para gente porque a gente também não cresce. A gente vai se deixando de lado... vai fingindo que não sente dor... vai fingindo que tá tudo bem... que aguentasse sempre mais um pouco...

Até que o corpo diz.. Não... não dá mais

domingo, 12 de setembro de 2010

Cabeça pra baixo

Era preciso ficarmos distantes das pessoas que gostamos, por questão de momentos, para sentirmos a imensa falta que elas nos deixam.

Ficamos dia a dia com as pessoas e, já não lembramos o quanto elas nos são especiais e o quanto são importantes.

Chega um determinado momento em que já não dizemos Oi, como vai? Senti sua falta... Mas dizemos.. Você fez isso, fez aquilo, já arrumou isso e aquilo?

A gente já não quer saber se a pessoa realmente está bem... a gente já não quer mais saber... mas, quando elas se vão... ficamos sentindo que falta alguma coisa. Será que não foi sempre assim?

Relacionamentos são complicados, e não apenas aqueles que "escolhemos" alguém... são também os familiares... A gente passa o tempo todo cobrando, sem ao menos olhar para o outro e ver como ele está.

Isso é frustante.

Aí, vemos aquelas belas histórias de amor, onde ambos percebem que não há nada mais importante no mundo do que os momentos... e nos questionamos: Temos dado importância ao que realmente importa?

Acho que a resposta para isso é medonha. Não damos. Não sabemos dar. Não aprendemos a dar.

Então, vivemos o mundo, vivemos o aprendizado externo, vivemos ser alguém, ter as melhores coisas, mas não vivemos a gente, não vivemos os aprendizados internos, não vivemos dar valor as pessoas que temos, não vivemos dar valor a quem somos.

Acho que está tudo de cabeça pra baixo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Como desenrolar?

A gente começa baixando a cabeça... leva o queijo até o peitoral... depois são os ombros... eles caem para frente, depois é a cervical, que se curva com o peso da cabeça, em seguinte de 1 em 1 vão as vertebras, até chegarmos ao sacro. Depois vai a bacia... e, quando vimos... estamos com os joelhos dobrados, os pés fincados ao chão e o corpo todo pra frente. Fizemos um rolinho de nós mesmos e, desenrolar é difícil e requer coragem.

Começa assim... fiquei quieto, pare quieto, fale baixo, pare de pular, não se vidta dessa forma, coloque essa roupa, eu não quero saber faça oq eu mando, vá pro seu quarto, não fale palavrões, não assista isso, assita aquilo que eu mando, não coma isso, se force a comer aquilo, pare de comer besteiras, coma verduras, vá tomar banho, diga sempre a verdade, não é desse jeito, para, você é burro? quando percebemos, estamos com os joelhos dobrados e os pés fincados ao chão e o corpo todo para frente. Fizemos um rolinho de nós mesmo e agora, como desenrolar?

Aí, a gente amadurece... algumas dessas regras ecoam na nossa mente, corpo e espiríto, vivemos podados e achamos que estamos voando... na verdade com os pés fincados ao chão temos a impressão de voar. Esquecemos o que é ter liberdade, o que é ter a si mesmo porque chegou um momento na nossa vida em que seguimos todas as regras que nos foram impostas sem dizer chega, sem ter a maturidade pra dizer não.

Então, quando a gente percebe, a gente sente a o joelho ficando reto, a bacia se encaixando no lugar, o sacro entrando no seu cantinho e de 1 em 1, cada vertebra formando novamente nossa coluna até chegar na cervical, então sentimos os ombros ganhando postura e a cabeça levantando até o momento em que olhamos pra frente e sabemos quem somos, quem habita aquele corpo.

Levamos conosco lições, tudo o que foi dito marcou, mas essa marca já não é de medo, já não é uma marca que poda, ela é aprendizado, virou essência... nós já conseguimos virar pessoas com nossas próprias estruturas e agora, temos que criar a estrutura de um novo alguém. Bate a insegurança, será que eu também vou transformá-lo em uma bolinha? em um corpo torto?

Mas acho que às vezes... para se tornar borboleta, tem que se ser um lagarto e passar pelo casulo...

sábado, 4 de setembro de 2010

Aprendizados de uma (quase) atriz

Tem momentos na vida em que a gente sente desanimado. Parece que por mais que a gente se esforce, por mais que a gente seja bom o suficiente as pessoas não exergam. Parece que elas não querem enxergar.

É como se não fossemos nada, como se não fossemos capazes, como se estivessemos em um círculo, mas não fizessémos parte dele.

Muitas vezes eu fiquei triste, porque eu achava que ninguém sabia me dar valor... isso não era apenas no meu mundo familiar, era também no social e no de estudar. Poucas pessoas me viam e me davam o valor que eu achava que merecia.

Hoje, durante uma aula de História do Teatro, que estavámos discutindo sobre política (não a partidária, mas a do nosso cotidiado), me questionei sobre algumas certezas que tinha e, ao me olhar novamente me perguntei: "Estou sabendo me mostrar?"

Esta pergunta inquietou minha mente e meu coração.

Li, em um livro do Gasparetto, que o mundo só reflete aquilo que emitimos. Então, certamente tenho emitido as energias erradas.

O teatro, e, principalmente a peça que estamos montando e o professor que temos, tem me feito refletir sobre um bucado de coisas.

Essas coisas me incomodam porque, de alguma forma, de alguma maneira, estão impressas em quem eu sou. E, se elas fossem coisas boas, não me incomodariam.

Me incomoda o fato de ser muito politica com os outros, não abrir o jogo, não dizer quando alguém me decepciona, ou não dizer quando acho que as coisas não estão certas, eu tenho medo de magoar não só para quem eu digo o que sinto, como magoar a mim. Isso, é algo que consome a nossa essência interna, não nos permite ser quem somos e dizer o que pensamos porque estamos o tempo todo seguindo um padrão pré definido. Às vezes pensamos que quebramos as correntes, mas só quebramos aquela que vemos, aquela que percebemos como correntes.

Estamos montando Roda Vida, do Chico Buarque, e, tem uma música, que chama roda viva, que me mostra exatamente isso... como a gente permite que a roda viva (quer seja a sociedade, quer seja nossos pais, quer seja quem for), leva tudo... mesmo que tenhamos achando que estamos lutando, ela sempre leva, leva e leva, até a hora em que a gente acorda pro fato que nós podemos fazer a roda parar.

A gente pode fazer a roda parar. É só escolher, como Brechet diz em seus textos, de qual lado ficaremos... se seremos "Aquele que diz sim", ou "Aquele que diz não".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Atravessando A linha

Ali havia uma linha.

Linha essa que eu sempre quis atravessar. Mas tinha medo.

Todo mundo que atravessava não voltava.

Eu queria porque queria saber o que havia depois daquela linha. Mas tinha medo de não voltar.

Um dia... eu criei coragem... saí de casa e fui andando até ficar a 10 metros daquela linha. Então, com meus pés presos ao chão, comecei a olhar o que havia daquele outro lado.

E, que coisa linda... um lindo rio, de tão limpo, transparente, árvores, pássaros, estava sol, assim como estava aqui, do meu lado.

Meus pés, meio que sem minha autorização, começaram a andar, eles queria ultrapassar a linha, mas quando eu estava perto de cruzá-la, meu coração os parou, não deixou...

Então eu voltei pra casa... com aquela paisagem na minha cabeça, com aquele desafio na mente. Eu queria saber o que havia daquele outro lado.

Alguns dias passaram, e minha mãe pediu que eu fosse ao mercado (que ficava muito próximo daquele lugar).... e eu fui... pensando (será que é hoje que eu enfrento meu medo?)

Então... meio que inconsciente, eu parei novamente de frente pra linha. Neste momento meu coração começou a desparar, ele sabia que eu estava decidida a atravessar. Então, começou a passar um filme pela minha mente.

Era incrível a certeza que eu tinha de que eu jamais voltaria pra lá, comecei a pensar na minha família, em como eles ficariam sem mim. Depois, comecei a pensar nos amigos... no namorado... pensei em todos os que estavam ali... que veriam o que aconteceria comigo... e eu só saberia sentindo. Pensei em mim... será que devo arricar isso tudo o que eu tenho, por um desejo inconsciente de atravessar uma linha?

E se não houver nada depois? E se não houver ouros ou prêmios? E se não houver nada?

Meu pés começaram a andar. A cada passo que eles davam, um filme novo se passava em minha mente e uma vez mais meu coração gritava de medo... O que haverá depois?

Então fiquei a um passo da linha. Alguns me olhavam me criticando, outros adimirados, alguns outros curiosos...

Eu não me olhava, eu apenas me atinha a paisagem e ao meu pé que lentamente foi se levantando do chão e passando por aquela linha.

Foi quando eu passei. Eu não olhei para trás, não quis ver o que eu tinha deixado. Segui em frente. Toquei o rio... andei pelas árvores... senti o cheiro do vento.. o cheiro da mata.

Então... caminhando, cheguei a um local que me era familiar... havia um balanço que eu conhecia bem... aaaa, essa horta... é a minha... sim, era a minha casa... então eu escuto...:

- Trouxe o que eu pedi do mercado?

- Sim... eu trouxe...

É... atravessar a linha... me fez voltar para o lugar de onde saí, mas não voltei a mesma. Não ganhei ouros ou prêmios... mas também não fiquei sem nada.

Ganhei confiança em mim... confiança nos meus passos...

A vida é cheia disso... cheia de desafios que às vezes parecem medonhos... e criamos e especulamos tanto sobre eles e às vezes é só aquilo que nosso medo monta.

Mas quando você tem a coragem de cruzar a linha, você se sente livre para seguir e para voltar... porque você terá sempre a si mesmo...

E, eu sempre tive vontade de entrar naquele lugar...

mas era tão diferente...

O que será que haveria lá?

....

Bom...

- Vamos nos encontrar amanhã?

- Amanhã? Que horas?

- Qualquer horário, estarei bem próximo a você...é só me dizer...

- Mas vamos fazer o que?

- Ah, o que quisermos... conversar e talz...

- Uhhn... tá bom!

DIA SEGUINTE

- Estou chegando.

- Estou esperando.

- (tímida) Oie...

- Oie... entra aí...

- Ahh... beleza...

( Um abraço apertado)

- Vou pegar água, já venho.

- OK...

(ela pega água e uma bala...)

- Então (pondo a mochila ao chão)... como você está

- Ah... eu...to bem e você?

- To bem também...

E os dois continuam a conversar...

- Mas que que você tanto se mexe nessa cadeira??... hahaha

- É que eu sou tímida... envergonhada...

- Envergonhada você? Diz o que vem a cabeça...

- (preocupada) Isso é ruim (pensando: mas se for também... que se foda)

- De modo algum, eu gosto!

sorrisos!

- Olha só, o que é isso...

- É o que eu to fazendo...

- Ah...que massa, e o que significa?

- Significa... A de Altura... L de largura... (se aproximando do ouvido dela)... B de...

ela vira sorrindo...

ele vem devagar...até seus lábios tocarem os dela.

Fim de papo.

- Uhn... muito gostoso...

- É?

- Uhum...

( pensando...é, eu sei)... hahahaha

Sublimes toques deslizando por cada cantinho do corpo... o beijo... descendo pelo pescoço... chegando ao peitoral, mas com mto respeito dali, não ultrapassando...

O clima começa a esquentar...as coisas vão se encaixando...

- Mas eu tenho que ir embora ?

- Ah é??

E continua beijando...

- É sério.. preciso ir...

- Tá bom...

Mas como tava bom aquilo ali... nçao dava vontade de ir...

Mas foi... foi embora...

E, tudo o que aconteceu e poderia ter acontecido ficou na imaginação... na mente...

Principalmente, tudo o que poderia ter acontecido...